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A estrutura, e onde o sistema entra.

A Resolução CMN nº 4.557 exige uma estrutura de gerenciamento contínua e integrada. Ela tem um formato conhecido — e cada parte desse formato tem um sistema correspondente.

Esta página é o mapa. Não vende sistema: explica o processo que o sistema serve, para que a conversa comece no mesmo lugar dos dois lados da mesa.

O ciclo é um laço só.

Identificar, mensurar, avaliar, tratar, monitorar, reportar — e recomeçar. É o mesmo laço em banco, corretora, cooperativa, seguradora e indústria: o que muda é o dado que entra e o regulador que cobra. Nenhum sistema da m2i cobre o laço inteiro sozinho, e nenhum passo fica sem sistema.

  • 01

    Identificar

    Que risco existe em cada processo, e quem é o dono dele. Sai daqui o mapeamento de processos e o dicionário de riscos.

    SGRO SGCC

  • 02

    Mensurar

    Probabilidade e impacto onde o julgamento é estruturado; modelo quantitativo onde há dado: V@R, PD, LGD, perda esperada, fluxo projetado.

    SGRO SGRC SGRL

  • 03

    Avaliar

    Comparar com o apetite aprovado pelo conselho. É o único passo que decide se alguma coisa acontece: sem limite declarado, nada dispara tratamento.

    SGRC SGRL

  • 04

    Tratar

    Mitigar, transferir, evitar ou aceitar formalmente — aceitar também é decisão registrada. Todo tratamento vira plano de ação com dono, prazo e evidência.

    SGRO SGCC SGCN

  • 05

    Monitorar

    Indicador com limite, teste de controle, evento de perda efetivo e teste de plano. É o passo que envelhece primeiro quando é feito em planilha.

    SGRO SGCN SGCA

  • 06

    Reportar

    Comitê de riscos, conselho e regulador, cada um com profundidade diferente, a partir do mesmo registro e da mesma trilha.

    SGRO SGRC SGCA

O passo 06 devolve ao 01: o que o ciclo ensinou entra na próxima identificação. Estrutura “contínua”, na letra da norma, é isto.

Três linhas, três posturas.

Não é organograma: é separação de poderes. É o que impede que quem corre o risco seja também quem atesta que está tudo bem. A distinção explica por que compliance e auditoria são dois sistemas, e não um com dois relatórios.

  • 1ª linha · Área de negócio

    Crédito, tesouraria, TI, operações. Corre o risco, é dona do controle e executa. É quem preenche a autoavaliação e registra o evento de perda.

  • 2ª linha · Riscos e compliance

    Define a metodologia, desafia a primeira linha, consolida e monitora. É quem cobra prazo, fecha a matriz e leva o relatório ao comitê.

  • 3ª linha · Auditoria interna

    Avalia se a primeira e a segunda funcionam de fato, e reporta ao conselho, não à diretoria. É a independência dela que dá valor ao parecer — e é por isso que ela não pode operar dentro do mesmo sistema que audita.

O que a norma manda gerenciar.

A tabela abaixo é do regulador, não da m2i: é o que a Resolução CMN nº 4.557 exige de uma instituição, já com a alteração da Resolução CMN nº 4.943/2021. As primeiras linhas são riscos; as três últimas são respostas ao risco, e por isso aparecem junto.

O que a norma manda gerenciarO que éLinhaSistema
Risco operacional Falha de processo, de pessoa ou de sistema, e evento externo. 1ª e 2ª SGRO
Risco de crédito A contraparte não paga. 1ª e 2ª SGRC
Risco de liquidez Solvente, mas sem caixa na data. SGRL
Risco de mercado Preço, taxa e câmbio se movem contra a posição. sem sistema
Risco social, ambiental e climático Incluído na 4.557 pela Resolução CMN nº 4.943/2021, em vigor desde julho de 2022. sem sistema
Continuidade de negócios Como continuar operando depois que o evento já aconteceu. 1ª e 2ª SGCN
Conformidade e controles internos O desenho, o teste e a evidência do controle. SGCC
Auditoria interna A avaliação independente das outras duas linhas. SGCA

A linha de defesa dominante não é exclusiva: quase toda exigência passa pelas três em algum momento do ciclo. A coluna diz de quem é a caneta.

A matriz é o instrumento comum.

Probabilidade contra impacto, de 1 a 5. É o desenho que atravessa toda a disciplina, de risco operacional a continuidade, e a saída mais olhada de qualquer estrutura de risco. A nota sozinha não decide nada: ela só ganha sentido comparada com o apetite aprovado pelo conselho.

Probabilidade × impacto. A nota é o produto dos dois.
5M5A10C15C20C25
4B4M8A12C16C20
3B3M6A9A12C15
2MB2B4M6M8A10
1MB1MB2B3B4M5
12345
  • Muito baixo
  • Baixo
  • Médio
  • Alto
  • Crítico

Cada célula leva a sigla do nível escrita junto da cor. Quem não distingue verde de vermelho continua lendo a matriz, e a matriz continua legível impressa em preto e branco — regra do design system da m2i, não preferência.

O que o sistema faz, e o que não faz.

Um sistema de gestão de riscos é repositório estruturado, motor de workflow e máquina de evidência. Prometer além disso, para quem responde pela estrutura, não sobrevive à primeira reunião.

  • Guarda a trilha

    Quem avaliou, quando, com base em quê, e qual era o valor anterior. É a primeira pergunta de qualquer auditoria, e a que planilha não responde.

  • Amarra o grafo

    Processo, risco, controle, teste, perda, indicador e ação são o mesmo caminho. Planilha é tabela; a pergunta que importa atravessa cinco entidades.

  • Move o trabalho

    Coleta distribuída com dono, prazo, alçada e trava por etapa. E-mail escala até umas vinte pessoas e não deixa rastro nenhum.

  • Não define o apetite

    O limite é decisão do conselho. O sistema cobra o limite; ele não escolhe qual é.

  • Não escolhe a metodologia

    Escala, critério de impacto e peso de controle são da instituição. O sistema parametriza o que ela decidir, e registra quando ela mudar de ideia.

  • Não substitui a segunda linha

    Ele tira da segunda linha o trabalho de consolidar planilha, para que sobre tempo de desafiar a primeira. Esse desafio é gente, e continua sendo.

Em que ponto do laço a sua estrutura está?

Implantação nova, troca de sistema, exigência de auditoria em aberto ou plano de ação vencido — cada um começa num passo diferente, e o caminho não é o mesmo.